Monday, October 16, 2017

Preciso ser pinup todo dia? / Do I need to wear pinup fashion everyday?


É um assunto polêmico pelo menos na comunidade pinup brasileira: pinup é só quem usa o estilo todo dia? Eu posso afirmar com muita certeza que não. Você não precisa ser a própria Ava Gardner dentro de casa, usar saia godê e anágua para ir ao mercado, nem fazer vintage waves todo dia antes de ir para o trabalho. Em pleno 2017, é muito difícil usar um look completo para todas as atividades do dia-a-dia. Não importa o quanto amamos a estética retrô e o quanto damos duro pra conseguir essas peças de roupa, o mundo contemporâneo não permite que nossa vida seja igual a de mulheres de setenta anos atrás - a não ser que você seja uma pessoa muito rica, patrocinada por vários estilistas que fazem seu guarda-roupa da maneira que desejar e com um emprego que a permita usar o que quiser, assim como a Dita Von Teese. E sei que não é o caso da grande maioria. São diversos fatores que impedem que você tire o top cruzado do armário diariamente: o uniforme de trabalho, o tempo, a maternidade, estudos. Com todas essas dificuldades, muitas deixam o estilo apenas para eventos, festas e concursos. Elas não são "menos pinup" que ninguém. Também gostaria de ressaltar que gostar e vestir outros estilos (seja punk, gótico, lolita, decora, whatever) não impede ninguém de usar estilos retrô e ser pinup.
At least in the Brazilian pinup community, this is a controversial topic: are you a pinup only if you wear vintage style everyday? I can affirme that it is not true. You don't have to be Ava Gardner herself at home, wear circle skirts and petticoats to go grocery shopping or style vintage waves everyday before you go to your job. We're in 2017, it's really hard to wear a full outfit for every ordinary task. I doesn't matter how much we love the retro aesthetic or how hard it was to find all of those clothing pieces, the contemporary world doesn't allow any of us to live a life that women from 70 years ago lived - unless you're so damn rich, sponsored by many designers who make you clothes the way you want and a job that makes it possible to wear anything you desire, just like Dita Von Teese. I know that it's not the case for many. There are many reasons that block you from wearing that cute retro top everyday: your job's uniform, schedule, maternity, college. With all of those factors, many are only able to wear pinup fashion at conventions, parties and contests. They aren't "less of a pinup" than anyone. Also, I'd like to say that enjoying and wearing other styles (punk, gothic, lolita, whatever) don't make it impossible to wear retro styles and pinup. 


Recentemente, uma das pinups mais famosas do Instagram, a KirstieMyDear, postou a selfie acima para quebrar a ilusão que muito de seus seguidores tem: de que ela é glamourosa e impecável o tempo todo. "Eu passo 50% do meu tempo se não mais sem maquiagem e usando suéteres confortáveis, cabelo preso e vivendo dias não tão glamourosos", ela conta na postagem. As redes sociais ajudaram a aumentar a comunidade pinup, facilitou a aquisição de roupas e acessórios e espalhou informações, mas ao mesmo tempo, fez com que muitos esquecessem que postamos apenas nossas fotos de momentos de glamour, criando a ideia de que vivemos uma vida perfeita e regada à anáguas, pérolas e rosas no cabelo. Não julgo, pois eu também só posto fotos quando estou arrumada e feliz. Não é errado, o Instagram é um álbum de fotos virtual para relembrar seus melhores momentos. No entanto, é exatamente esse o ponto que foi esquecido.
Só porque a Kirstie e tantas outras postam fotos bonitas, não quer dizer que não precisamos deixar as roupas glamourosas aguardando por nós em algum lugar do armário. E, na maioria das vezes, não podemos simplesmente "apertar o botão do foda-se" (desculpe o palavreado) e ir de drag para o trabalho. Infelizmente, existe código de vestimenta em escritórios, estabelecimentos e escola. Ou só queremos descansar mesmo e assistir Netflix de pijama e cabelo despenteado. E lembrem-se: as mulheres da década de 40 e 50 só estavam sempre lindas porque era uma obrigação imposta pela sociedade e porque não tinham emprego nem estudo, viviam apenas para serem artificialmente perfeitas diante dos olhos do marido.
Recently, one of the most famous pinups from Instagram, KirstieMyDear, posted the selfie above to end with the belief of many of her followers: she's glamorous and flawless all the time. "I spend at least 50% if not more of my time with no makeup and in cozy sweatshirts, hair pulled up and living not so glamorous days.", she tells. Social network helps to expand the pinup community, made vintage shopping easier and spread information, but at the same time, we forgot that we only post photos of our glamorous moments, creating an illusion that we live a perfect life of petticoats, pearls and followers in the hair. I don't judge anyone though, since I also post photos of my happy and dolled-up moments. That's not wrong, Instagram is a virtual photo album to remind you of those wonderful times. However, that's the point everyone forgot about. 
Just because Kirstie and many other post beautiful pictures, it doesn't mean that we don't have to leave our glamorous clothes waiting for us at somewhere in the wardrobe. And, most times, we can't simply not give a fuck (sorry for swearing) and drag-queen yourself up to job. Unfortunately, there are dress codes at offices, establishments and schools. Or sometimes we just want to Netflix and chill in pajamas and messy bun. And remember: 40's and 50's women always looked pretty because it was an obligation set by society as they didn't work or study, lived only for being artificially perfect for their husbands.


Em relação a mim, eu raramente saio de casa senão para ir ao meu curso de pré-vestibular, que me obriga a usar uma camiseta de uniforme. Por não ser escola, eu posso usar saias e mais acessórios, mas meu meio de transporte é uma moto, logo, muita produção também está fora de questão. Claro que eu sou considerada "muito produzida" porque uso no mínimo um batom vermelho diariamente, bandanas ou scarves, e ás vezes vou de salto baixo, porém nem se compara a quando tenho a oportunidade de sair. Apostar em acessórios e penteados fáceis de fazer é uma boa opção para adicionar inspiração retrô ao seu dia-a-dia, como já falei sobre nesse post. Mas se ainda assim está fora de questão para você por algum motivo, está tudo bem. Você não tem a menor obrigação.
Talking about myself, I rarely leave home if not for my course, which I'm obligated to wear an uniform shirt. It's not a school, so I'm allowed to wear skirts and more accessories, but I drive to it in a motocycle, so "too much" is not possible. Of course, people always think I'm in full glamour because I wear at least red lipstick, bandanas or scarves daily, sometimes short heels too, but of couse I can't compare it to when I'm finally able to hang out. Wear accessories and easy hairstyles is a good choice to add that vintage touch to a daily basis, as I've said before in this post. But if it's still not a thing for you, that's okay. You don't have to.


Se a sua vida permite que você seja pinup diariamente e guarda-roupa suficientemente grande pra isso, que ótimo! Maravilhoso, de verdade! Mas parem de julgar e querer pressionar quem não pode. Espalhem mais empatia. 
E isso é tudo pessoal!
If your life allows you to be a pinup everyday and a large wardrobe for that, that's great! Wonderful, really! But stop judging those who can't. Spread love.
And that's all folks!

Sunday, October 8, 2017

Raven Hair Diaries #2 - Produtos capilares favoritos do momento / Currently favorite hair produts


Olá little swans, hoje finalmente vou dar uma atualização sobre meu cabelo! Ultimamente venho usado produtinhos super baratos que achei e amando, falei sobre no meu My Story do Instagram há um tempo e muita gente adorou a dica, então estou trazendo detalhes atualizados. Vem conferir ♥
Hey little swans, today I'll finally give you some updates about my hair! Recently I've been using super cheap and amazing products I found and loving it, I've talked a little about it on my Instagram's My Story and many of you guys liked it, so I'm giving updated details today. Check it out ♥


O shampoo que eu usava anteriormente era um da Seda para cabelos pretos e eu queria parar de usar há muito tempo porque a marca é do grupo Unilever, que testa em animais, mas não tinha encontrado um shampoo que deixasse meu cabelo tão brilhoso. Há uns meses, eu havia visto propagandas do Plusbelle no supermercado e não dei muita bola, eis que ganhei amostras e adorei. Meu cabelo fica muito brilhante, leve e macio e como vem 1 litro de produto, é uma mão na roda pra mim, já que tenho muito cabelo. O condicionador também é excelente, e olha que nunca fui fã de condicionadores, e ele é uma opção barata para quem faz low-poo #ficaadica. Por enquanto só testei o "Extra brilho e força".
I was using a Sunsilk shampoo for black hair before and I wanted to stop buying it because they test on animals but didn't find any other good shampoo that makes my hair as shiny. A few months ago, I saw some advertisements for a shampoo called Plusbelle on supermarkets (it's a brand from Argentina that recently started selling in Brazil) and I didn't care at first but I got samples and absolutely loved it. My hair looks so shiny and feels soft and light and it comes with 1 liter (33.81 oz), which is a really good thing for me because I have a lot of hair. The conditioner is amazing as well and I don't even like conditioners and it's a low-cost product for low-poo too. For now I've only tried the products that promise shine and strenght, it's a large range for different needs. 


O brilho que o Plusbelle dá aos fios é maravilhoso, mas não seria a mesma coisa sem esse creme de tratamento INCRÍVEL de maionese da Skala. Sempre vejo os potinhos de creme de maionese no mercado e era louca pra experimentar, mas até então só conhecia para cabelo cacheado e crespo, enquanto eu sou lisa natural, e esse da Skala é para todos os tipos de cabelo. Minha mãe quem comprou e eu nem conhecia o produto antes, acabei amando. O cheirinho é uma delícia (não lembra maionese em nada), o resultado é sensacional. Também é liberado pra low-poo e vi pessoas dizendo que usam para co-wash. É um pote bem grande de 1000g que custa em torno de R$5! Como preciso lavar só duas vezes na semana, estou pensando em comprar o creme "Lama negra" para tons escuros e usar ele num dia e o de maionese no outro.
The shine that the Plusbelle shampoo gives to my hair is wonderful, but it wouldn't be the same without this STUNNING mayonnaise treatment hair cream by Skala. Mayonnaise hair creams are a hot trend in Brazil right now but I have only seen these for curly hair before I found this one for all types of locks (mine is naturally straight). My mom bought it actually and I didn't even know this product but turns out I fell in love with it. The smell is delicious (doesn't smell like mayonnaise at all), the result is incredible. It's also safe for low-poo and I've seen girls who use it for co-wash. It's a super large container of 1000g that costs around R$5! I only need to wash my hair twice a week, so I'm thinking of buying a cream from the same brand specially made for dark hair tones and use them both on different days. 


E para finalizar, depois que o cabelo seca uso este creme de brilho e anti-frizz (e anti-calor, anti-poluição e anti-tudo) da Charming Cless, que tem essa embalagem retrô super fofinha, e escovo em seguida. Foi R$15 e tem um cheiro de bala que é muito gostoso e suave (é engraçado porque detesto perfume doce mas gosto nos fios). Quem tem cabelo liso sabe o quanto é difícil lidar com o frizz, roupas e as próprias escovas deixam ele mais elétrico que o Pikachu. Como cabelo escuro se danifica muito fácil também, tem sido bem útil para protegê-lo dos fatores que o agride.
And for the final touch, after my hair dries I use this anti-frizz/heat/pollution and gloss finishing cream by Charming Cless (look at this super cute retro package!) and brush right after. It was R$15 and smells like candy, which is so good and not too strong (it's funny because I hate gourmand perfumes but I like sweet scents on my hair). Girls with straight hair know how hard is to deal with frizz because even clothes and brushes make it Pikachu-ish. Since dark tones are sensible too, it's been really useful to protect my locks against the agressive sunlight, heat and pollution. 

E é isso pessoal! Tem alguma dica de produto pra ver ser resenhado aqui no blog? Deixe um comentário! Beijinhos!
And that's all folks! Any product recommendation for a review? Leave a comment! XOXO!


Little swans do Brasil e Portugal, no dia 12 de outubro estarei fazendo uma live no Instagram (@amyhswan) mostrando mais da minha penteadeira. Alguns de vocês me pediram essa "tour" e fiz uma enquete perguntando qual seria o melhor dia, o feriado venceu. Vou aproveitar para dar dicas de organização e de produtos, não percam ♥ 

Sunday, September 17, 2017

Book Review: Wonder Woman Earth One

ENGLISH TRANSLATION COMING SOON


Olá little swans! Quem estava com saudades de resenhas nerds por aqui? Acredito que a última foi aquela de "Wayne de Gotham", em agosto do ano passado! Hoje vou resenhar um presentinho que ganhei do meu namorado e queria muuuuuito ler, que é o graphic novel e one-shot "Mulher Maravilha Terra Um", escrito pelo famigerado Grant Morrison e desenhado por um dos meus artistas favoritos, o Yanick Paquette. Quando a DC anunciou essa graphic novel, eu fiquei bem ansiosa e demorou muitos anos para ser terminada por causa dos milhares de detalhes na arte do Paquette. Foi lançada em junho de 2016. Eu tenho muito o que elogiar sobre esse quadrinho maravilhoso.

SINOPSE / PLOT:

"Por milênios, as amazonas da Ilha Paraíso construíram uma próspera sociedade longe da influência maligna dos homens. Uma delas, no entanto, não está satisfeita com sua vida reclusa: Diana, a filha da rainha, sabe que há mais no mundo e quer explorá-lo, mesmo que Hipólita, sua superprotetora mãe, não concorde nada com seus planos. A jovem consegue escapar quando o piloto da Força Aérea Norte- Americana, Steve Trevor (o primeiro homem que ela viu na vida), cai nas praias de sua ilha. Com a vida do militar por um fio, Diana se aventura no há muito proibido mundo do patriarcado. As amazonas a perseguem e a trazem de volta para encarar um julgamento, acusada de violar a lei mais antiga das guerreiras: nunca entrar em contato com o mundo que as prejudicou."
"Encompassing the vision of her original creator, William Moulton Marston, Morrison presents a Diana who yearns to break free from her mother and the utopian society on Paradise Island to learn about the forbidden outside world. Her dreams may come true when Air Force pilot Steve Trevor crashes on their shores, and she must defy the laws of the Amazons to return him to Man’s World."

MINHA RESENHA / MY REVIEW:


. O quadrinho:
Apesar da sinopse ser praticamente igual a do filme, não é uma origem exatamente idêntica às anteriores, até porque esse é de um universo alternativo (dica para quem quer começar a ler Mulher Maravilha a partir do filme: "Mulher Maravilha: Deuses e Mortais" da década de 1980, escrito pelo George Perez. Foi uma das maiores referências para o longa e está sendo relançado no Brasil, então está bem fácil de ser encontrado, mas sob o título da coleção "Lendas do Universo DC"). Aqui, as amazonas não tem uma tecnologia primitiva como na maioria das histórias e desenvolveram "gadgets" e meios de transporte bem interessantes. 
No entanto, a "cultura" do bondage é resgatado e relembrado aqui e esse foi um dos pontos que mais me agradaram. No início de suas publicações, as amarrações shibari, algemas e correntes nos contos da Mulher Maravilha causaram certa controvérsia e com o tempo foram sumindo das revistas, mas eu acho historicamente correto considerando que povos primitivos tinham hábitos que hoje são considerados fetichistas, como o da submissão. Além disso, eu penso que causa uma atmosfera estética lindíssima (não é novidade pra ninguém que lê o blog que sou grande fã de revistas fetichistas como a Bizarre e Exotique). Outro ponto muito positivo que me encheu os olhos foi a representação da deusa Hécate, achei inteligentíssima a forma como foi escrita e desenhada, sendo ela uma espécie de juri. 


Continuando com os pontos altos, Etta Candy (que aqui se chama Beth Candy, por algum motivo que desconheço) é um inteligente alívio cômico e espécie de "Elle Woods pluz-size"; ela é líder da sororidade de sua faculdade, adora cor-de-rosa, rainha da balada e é gordinha com orgulho, extremamente positiva em relação ao seu corpo e cheia de amor próprio. Etta já foi reinventada das mais diversas maneiras e essa é definitivamente a minha versão favorita, ela deixa um gosto de quero mais. E interessante ressaltar: Donna Troy aparece como um cameo em algumas cenas, vestindo um traje semelhante ao macacão vermelho de "Jovens Titãs". Vendo os rascunhos de Paquette nas últimas páginas, tive a feliz surpresa de descobrir que ele se inspirou na alta costura para desenhar o lindo visual da Hipólita.
Agora sobre os pontos negativos, tenho apenas dois mínimos: não fica claro como as amazonas desenvolveram sua tecnologia, que é superior a dos homens, e nem como chegaram à esse nível, um furo para a história. O outro "pequeno defeito" é um erro histórico: as amazonas desconhecem a maquiagem, sendo que as mulheres gregas foram uma das inventoras e primeiras a fazerem uso de tintura para o rosto (vindo depois das egípcias, mas usavam). Elas extraíam pigmentação vermelha de óxido de ferro, vinho e rosas, que utilizavam como batom e rouge, então achei bizarro Hipólita estranhar Diana aparecendo com cor nos lábios, levando em conta que o uso da maquiagem é tão antigo quanto as amazonas (especialmente que a Hipólita é uma rainha, e maquiagem era mais frequente ainda para os ricos). Numa civilização de tecnologia tão avançada, por que maquiagem, que existe desde os primórdios da humanidade e começou exatamente ali na região mediterrânea, é tão estrangeiro?
O plot, apesar de simples, sabe prender o leitor e o provocar a vontade de saber a solução final para o julgamento de Diana por ter infringido as regras das amazonas. É uma narrativa até um tanto leve para um autor como o Morrison (conhecido por ser muito complexo em suas obras), também é bem rápida e você pode ler no metrô à caminho do trabalho, por exemplo. Se tornou uma das minhas histórias favoritas da princesa amazona e recomendo a qualquer grande fã - e aos novos também, mas sempre lembrando que é um universo alternativo e não encaixa na cronologia "real", mesmo sendo muito parecida com a origem verdadeira.

NOTA FINAL:

4,5/5
Desconto meio ponto pelos pequenos furos no roteiro e contexto histórico

A continuação dessa graphic novel foi confirmada neste ano na San Diego Comic-Con com algumas prévias que você pode conferir aqui. Quem já está morrendo de ansiedade pelo segundo volume levanta a mão! o/
E isso é tudo pessoal! Beijinhos!